Cotidiano Joinville

por Vitor Krüger

Nosso berço sociocultural

Publicado dia 28 de outubro de 2010 por Vitor Krüger

A geração atual não faz idéia do que está por trás daquela arquitetura clássica do prédio de número 485, da rua XV de Novembro, mas muitos adultos ainda guardam na memória antigas lembranças. Entre os freqüentadores, estão as famílias que assistiam os teatrinhos infantis que ocorriam lá, como “Chapeuzinho Vermelho” e “O Mágico de Oz”, bem como os boêmios do início da década de 80 que comemoravam muitos bailes de carnaval, reveillóns e festas de debutantes. Contudo, as lembranças ainda são mais fortes para aqueles que envelheceram em Joinville e passaram boa parte dos melhores momentos da das suas vidas no local que foi o berço artístico, social e cultural de Joinville, chamado Sociedade Harmonia-Lyra.

A mais antiga sociedade catarinense, surgiu da fusão da Sociedade Harmonia |antiga Harmonie Gesellschaft| com a Sociedade Musical Lyra. Considerada a casa social mais tradicional do território catarinense, foi fundada em 31 de maio de 1858 por grupos germânicos que decidiram preservar um pouco da vida cotidiana européia. Durante sete décadas foi o principal local de bailes, óperas, orquestras, teatros, espetáculos de dança e reuniões sociais. Entretanto, com o passar dos anos, a falta de incentivos, a transformação da sociedade e a evolução dos costumes, alguns eventos migraram para outras casas da cidade ou foram erradicados.

Vale ressaltar que a Harmonia-Lyra, que completou um século e meio em 2008, foi o primeiro lugar a abrigar a Festa das Flores na década de 30, bem como o consagrado Festival de Dança de Joinville, que no início dos anos 80 teve sua primeira edição no palco do clube que foi reformado. O evento contou com a participação de 600 bailarinos de mais de 40 grupos. Contudo, o espaço ficou pequeno para o público e dois anos depois, o evento foi transferido para o Ginásio Ivan Rodrigues.

Com um salão de festas para 650 pessoas, um amplo espaço para shows e um restaurante com 50 lugares, o prédio é usado atualmente para eventos como bailes de formatura, shows e casamentos. Mesmo com a perda do glamour dos grandes eventos, o clube continua sendo uma referência de beleza e história.

O prédio da Lyra é um ícone da arquitetura da cidade. Tombado pelo patrimônio histórico, sua estrutura lembra os clássicos palácios europeus. Sua fachada contém máscaras com coroas de louros, esculpidas pelo artista Fritz Alt. E ainda é, sem dúvidas, uma das edificações com maior expressividade da rua XV de Novembro.

Recentemente o símbolo sociocultural de Joinville eternizou literalmente sua história. “Harmonia-Lyra: Palco das Musas, desde 1858” é uma publicação que descreve 150 anos de história da Sociedade Harmonia-Lyra e foi lançado no dia 28/06/2010.

Crédito Fotos: Arquivo AN

Postado ás 02h02
 

O poder das marchas

Publicado dia 02 de setembro de 2010 por Vitor Krüger

Para reivindicar, para protestar, para celebrar. Esses são alguns dos motivos que fazem com que as marchas aconteçam e se tornem cada vez mais cotidianas em Joinville. Manifestações geralmente iniciam ou se encerram com alguma marcha. O principal objetivo de elas existirem é o fato de tornar público ou chamar atenção para determinado assunto que beneficie o grupo mobilizador de tal ação.

Esse tipo de evento ganha força na medida em que o tamanho da cidade aumenta. Quanto mais pessoas, mais estilos e diferentes formas de pensar. Assim, as minorias já não tão pequenas, conseguem virar pauta, são vistas e aceitas. Além disso, as marchas geralmente são vinculadas a sindicatos que cobram direitos quando se sentem lesados por empresas privadas ou órgãos públicos. Com esses grupos os ideais dos trabalhadores ganham dimensão e surge aí a iniciativa de protestar indo as ruas.

Exemplos não faltam, algumas marchas são ocasionais, geralmente as de protestos e algumas comemorativas. As mais recentes e de maior destaque na imprensa foram: a 1ª Marcha da Vitória contra o Câncer em Joinville, realizada pela rede feminina de combate ao câncer, a passeata dos funcionários da Busscar que reivindicavam audiência com o presidente Lula, para obter respostas do governo sobre aos créditos prêmios de IPI, e a greve dos servidores públicos na semana passada em busca de reajuste salarial conforme a inflação do último ano.

Outros dois exemplos são réplicas de eventos de capitais e grandes cidades. Geralmente acontecem uma vez ao ano e pelo visto vieram para ficar, como é o caso da Parada da Diversidade e a Marcha para Jesus que neste ano reuniu cerca de 20 mil pessoas.

Por se tratar na maioria das vezes de protestos e reivindicações, não raramente as pessoas que não estão envolvidas em nenhum dos lados reclamam e causam polêmica. E essas declarações, muitas vezes preconceituosas variam desde o trânsito até os fundos financeiros usados para os eventos. É lógico que em todos os casos há que se ter bom senso de ambas as partes e compreender que transtornos são inevitáveis. Mas aconselho os estressados: é bom se acostumar com isso, pois as marchas já fazem parte do cenário de Joinville.

Transtornos a parte, as marchas são, acima de tudo, uma forma democrática de expor o modo de pensar de um grupo, suas características, seus direitos. Nessas horas é preciso usar o raciocínio e refletir que a sociedade é heterogênea, mas há sim possibilidade de um convívio harmonioso. Uma boa oportunidade para provar isso é prestigiar outra marcha, a que comemora a independência do Brasil, na próxima terça-feira (07), já que, ao menos nessa ocasião Joinville compõe apenas um grande grupo, formado por patriotas e cidadãos brasileiros.

Crédito fotos:

http://www.flickr.com/photos/marchajj

A Notícia

Gazeta de Joinville

Postado ás 03h02
 
 

Cotidiano Joinville . por Vitor Krüger

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