Cotidiano Joinville

por Vitor Krüger

Coisa de Cinema

Publicado dia 07 de setembro de 2011 por cotidianojoinville

A esquina da rua Doutor João Colin com a Max Colin não é mais a mesma. O que um dia foi o prédio que abrigava o poder máximo da cidade atualmente é um almoxarifado esquecido. A torre símbolo do que foi a prefeitura de Joinville hoje faz parte do esquecimento. Pintura deteriorada, vidros quebrados e algumas pichações compõem o estado lastimável de um imóvel de relevância ímpar para a arquitetura e história da cidade.

O que seria a solução para o fim da deterioração daquele imenso patrimônio se arrasta por mais de dois anos, sem muita ou nenhuma alteração. Em 2009, a Fundação Cultural teve direito a este espaço para concretizar um projeto em conjunto com Associação de Cinema de Joinville e Região |Acinej|. O local seria então ocupado por uma Cidade Cinematográfica.

O projeto propõe um estúdio de cinema, ilhas de edição, uma escola de cinema, cinemateca com sala de projeção, biblioteca e espaço de convivência. O que se sabe é que as reformas para a instalação da associação já iniciaram em parceria com algumas empresas, mas visualmente não se vê nenhuma evolução.

O projeto não é somente um investimento em estrutura física, mas também formatação de uma política estratégica, voltada para a economia da cultura e desenvolvimento sustentável destas atividades. Atualmente a Acinej trabalha incansavelmente encaminhando projetos ao governo do estado e municipal para viabilizar a sua manutenção e realizar oficinas profissionais. Cabe agora a administração pública dar continuidade ao projeto e manter intacta a originalidade deste patrimônio. De preferência com um pouco mais de agilidade.

É aguardar pra ver.

Foto: ND On Line

Postado ás 16h32
 

Nosso berço sociocultural

Publicado dia 28 de outubro de 2010 por Vitor Krüger

A geração atual não faz idéia do que está por trás daquela arquitetura clássica do prédio de número 485, da rua XV de Novembro, mas muitos adultos ainda guardam na memória antigas lembranças. Entre os freqüentadores, estão as famílias que assistiam os teatrinhos infantis que ocorriam lá, como “Chapeuzinho Vermelho” e “O Mágico de Oz”, bem como os boêmios do início da década de 80 que comemoravam muitos bailes de carnaval, reveillóns e festas de debutantes. Contudo, as lembranças ainda são mais fortes para aqueles que envelheceram em Joinville e passaram boa parte dos melhores momentos da das suas vidas no local que foi o berço artístico, social e cultural de Joinville, chamado Sociedade Harmonia-Lyra.

A mais antiga sociedade catarinense, surgiu da fusão da Sociedade Harmonia |antiga Harmonie Gesellschaft| com a Sociedade Musical Lyra. Considerada a casa social mais tradicional do território catarinense, foi fundada em 31 de maio de 1858 por grupos germânicos que decidiram preservar um pouco da vida cotidiana européia. Durante sete décadas foi o principal local de bailes, óperas, orquestras, teatros, espetáculos de dança e reuniões sociais. Entretanto, com o passar dos anos, a falta de incentivos, a transformação da sociedade e a evolução dos costumes, alguns eventos migraram para outras casas da cidade ou foram erradicados.

Vale ressaltar que a Harmonia-Lyra, que completou um século e meio em 2008, foi o primeiro lugar a abrigar a Festa das Flores na década de 30, bem como o consagrado Festival de Dança de Joinville, que no início dos anos 80 teve sua primeira edição no palco do clube que foi reformado. O evento contou com a participação de 600 bailarinos de mais de 40 grupos. Contudo, o espaço ficou pequeno para o público e dois anos depois, o evento foi transferido para o Ginásio Ivan Rodrigues.

Com um salão de festas para 650 pessoas, um amplo espaço para shows e um restaurante com 50 lugares, o prédio é usado atualmente para eventos como bailes de formatura, shows e casamentos. Mesmo com a perda do glamour dos grandes eventos, o clube continua sendo uma referência de beleza e história.

O prédio da Lyra é um ícone da arquitetura da cidade. Tombado pelo patrimônio histórico, sua estrutura lembra os clássicos palácios europeus. Sua fachada contém máscaras com coroas de louros, esculpidas pelo artista Fritz Alt. E ainda é, sem dúvidas, uma das edificações com maior expressividade da rua XV de Novembro.

Recentemente o símbolo sociocultural de Joinville eternizou literalmente sua história. “Harmonia-Lyra: Palco das Musas, desde 1858” é uma publicação que descreve 150 anos de história da Sociedade Harmonia-Lyra e foi lançado no dia 28/06/2010.

Crédito Fotos: Arquivo AN

Postado ás 02h02
 
 

Cotidiano Joinville . por Vitor Krüger

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