Cotidiano Joinville

por Vitor Krüger

A História agradece

Publicado dia 26 de agosto de 2010 por Vitor Krüger

O que um dia foi sinônimo de conforto e requinte hoje resiste em pé, mas com marcas do tempo e abandono. Quem passa pela rua XV de Novembro pode não saber, mas o prédio de número 967, ou o que resta dele, abrigou um dos primeiros hotéis da cidade.

Freqüentado por viajantes e caixeiros, o Hotel do Imigrante, edificado no início do século 20, contribuiu para o desenvolvimento de Joinville, já que muitos industriários pernoitavam ali. Entretanto, com a expansão econômica da cidade novos estabelecimentos de hospedagem foram criados, fazendo com que o antigo hotel perdesse seu status e fechasse suas portas.

Após o fim das atividades comerciais o prédio permaneceu por décadas fechado. A falta de manutenção, somada à ação de vândalos e moradores de rua ajudaram a depredar o que o tempo começou. Mesmo depois de o prédio ter sido tombado pelo município em 2009, o futuro da estrutura ainda dependia de sorte, visto que era eminente o risco de desabamento.

A proprietária do imóvel, uma construtora com vários empreendimentos na cidade, contrapropôs manter a fachada histórica e erguer um prédio novo nos fundos do terreno. Ocorre que, tal aprovação demandava análises e levaria certo tempo, o que o imóvel parecia não ter. Após a queda de parte do telhado os órgãos responsáveis autorizaram obras emergenciais, o que abriu caminho para a aprovação definitiva do acordo.

Atualmente o telhado já foi trocado e parte da estrutura recebeu reforço. Pelo que parece, o destino do que um dia foi o Hotel do Imigrante terá um final feliz. A harmonia entre história e desenvolvimento vai garantir vida longa a mais um patrimônio de Joinville, integrando o antigo ao moderno.  E isso será possível por intermédio da preservação do local.

Infelizmente bons exemplos como este continuam sendo exceção. Vários imóveis históricos da cidade já foram demolidos e outros caminham para o mesmo fim. É preciso pensar no que nossos filhos herdarão de Joinville. O valor de um patrimônio cultural é imensurável, por isso, é vital concentrar esforços para restaurar espaços e transformar vagas lembranças em histórias registradas e estruturadas. Dessa forma, o passado fica um pouco mais vivo atualmente e as próximas gerações saberão por onde passamos e onde vivemos.

Fonte: Coordenação do Patrimônio Cultural de Joinville

Arquitetura


História

Dica:

Para reconhecer e valorizar a riqueza material de Joinville, um Roteiro Turístico, Arquitetônico e Cultural foi criado. O roteiro consiste em um trabalho de pesquisa, que relaciona 127 patrimônios e espaços culturais da cidade. Elaborado pela arquiteta e urbanista Rosana Barreto Martins, o roteiro tem como lema “Só se ama e se preserva o que se conhece” e permite que o cidadão local ou turista possa conhecer algumas construções de importância histórica para a cidade.

O roteiro pode ser encontrado nos museus de Joinville, Pórtico da cidade, Escola do Teatro Bolshoi, Biblioteca Pública, Galeria de Arte Victor Kursancew, Arquivo Histórico de Joinville e Pórtico Eco-rural de Pirabeiraba (Casa Krüger).

Colaboração: Rosana Barreto Martins arquiteta e urbanista

Postado ás 03h01
 

Pedalando nas vias de fato

Publicado dia 12 de agosto de 2010 por Vitor Krüger

Não precisa olhar muito para perceber que essa peça é única, inconfundível. A Joinville de décadas permanece. A originalidade de um povo que tem fé na santa protetora em uma mão estendida ao céu também resiste ao tempo, mas não com a mesma intensidade.

A diferença é que atualmente elas, as “zicas” perderam espaço. O que um dia foi o símbolo de uma Joinville industrializada, que se locomovia para as empresas em duas rodas, passa a ser uma lembrança para se guardar na memória, nos museus, ou quem sabe nem isso.

Desde março, quando parte do teto da Estação Ferroviária cedeu, o prédio onde o MuBi (Museu da Bicicleta) funcionava foi interditado. Aproveitando o ocorrido, a Fundação Cultural de Joinville (FCJ) resolveu encerrar o trabalho do museu visto que, segundo a FCJ a situação estava irregular, pois o acervo é de propriedade privada. A decisão tem gerado polêmica e é considerada por muitos um retrocesso.

Algumas ações já estão sendo executadas para impedir a extinção deste espaço, mas para a Estação Ferroviária o MuBi não volta mais.

Esta foi a segunda batalha perdida. A primeira ocorreu gradativamente, no trânsito da “Cidade das Bicicletas”, se é que ainda podemos chamá-la assim. Não houve opção, os motores venceram e o jeito foi adaptar-se e aprender a dividir o espaço com motos, carros, ônibus e carroças de catadores de quinquilharias, já que as ciclovias não fazem parte da maioria das vias urbanas de Joinville. Os ciclistas que ainda restam neste cenário, compõem um grupo que deve gostar de desafios pois,  seja por hobby, esporte ou trabalho, enfrentam obstáculos diariamente.

É difícil admitir, mas enquanto cidades modernas e sustentáveis criam políticas de soluções para o trânsito e diminuição da emissão de dióxido de carbono na atmosfera, Joinville parece fazer o caminho inverso.  Espero que quem pode fazer algo deixe de ser negligente e quem não tem voz no comando não cruze os braços, lute para mudar essa realidade, pedalando sempre, enquanto pode.

Postado ás 03h01
 
 

Cotidiano Joinville . por Vitor Krüger

NossaJoinville