Cotidiano Joinville

por Vitor Krüger

Vale a pena ver denovo?

Publicado dia 02 de outubro de 2010 por Vitor Krüger

Eis que mais um ciclo se encerra. Há algumas horas das eleições, o picadeiro da democracia brasileira está novamente em pauta. Comparo este cenário ao programa “Vale a pena ver denovo” de uma conhecida emissora de TV do país. Faço esta analogia porque a política atual tem se mostrado um completo set de novela, com uma pitada de stand up comedy. A única alteração no título é que eu coloco uma interrogação no final da frase e muitos de vocês quem sabe acrescentem a ela um “não” no seu início.

É sempre assim. A cada dois anos o mesmo roteiro, mas a reprise de 2010 tem um extra. Enquanto a nobreza intocável do STF faz hora extra, empata votos e decide não decidir nada antes das eleições sobre o Ficha Limpa, os velhos protagonistas prosseguem em seus papéis ou no máximo deixam ser substituídos por suas castas.

Não quero fazer apologia ao socialismo ou monarquia, mas há muito que mudar para se ter uma democracia desejada no Brasil, a começar pela cultura do povo. Os candidatos e quase a totalidade das pessoas vêem funções públicas como profissão. Queria saber se o interesse em governar seria tão grande se o trabalho fosse voluntário.

Outro ponto lamentável é que não existem mais candidatos, só existem partidos políticos e os eleitores compraram essa ideia. É preciso voltar a votar em pessoas e não em siglas, pois aqueles que se digladiam hoje, em dois dias estarão aliados para o segundo turno.

Enquanto isso não mudar, a sociedade continuará concordando em colocar pessoas despreparadas para decidir o nosso futuro. Já virou tendência no país, celebridades e ex-atletas decadentes, muitos deles semianalfabetos, se lançam e têm sucesso no pleito. O mais triste é saber que quem incentiva estas ações é a própria população votando neles como forma de protesto. Só que estas atitudes impensadas continuarão elegendo “palhaços” na forma literal e não metafórica.

Para concluir, quero enfatizar que o que define eleição não são pesquisas e sim o seu voto. Use o seu direito de eleitor, não anule, não vote em branco, pois mesmo com tantos motivos desestimulantes citados acima só depende de nós a escolha que pode tirar a interrogação do final do título deste artigo.

Postado ás 13h14
 
 

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