Cotidiano Joinville

por Vitor Krüger

Onde há fumaça há progresso

Publicado dia 13 de janeiro de 2011 por Vitor Krüger

Elas estão por toda a parte. Seja como símbolo do desenvolvimento de uma época áurea, seja como o progresso de novos tempos ou nas lareiras como forma elegante de aquecer uma casa. Seja para cozinhar alimentos em antigos fogões ou ainda nas centenas de fornos à lenha que produzem a aquela pizza irresistível.

De tijolos, concreto ou metal, as chaminés fazem parte do cotidiano de quem só vê nelas motivos para conspirar sobre a degradação ambiental e também de quem aprecia as histórias que elas podem “contar”. Já que, mais que fumaça, elas são responsáveis indiretas por suprir seus mais diversos desejos.

Na revolução industrial elas se tornaram um ícone de desenvolvimento. Mas a partir da década de 80, precauções ambientais e o aquecimento global tornaram o símbolo máximo da revolução em um vilão necessário à humanidade, que se transforma, mas que continua presente.

Em Joinville não foi diferente, em bairros distantes do centro, na zona sul encontra-se até hoje um arsenal do barro. Olarias desativadas e outras que até hoje mantém aceso o fogo que transforma barro em material de construção e demonstram estar vivas pela fumaça que sai de suas extremidades.

Na zona leste e norte da cidade o metal é que ganha forma de chaminé para conduzir os resíduos da produção industrial dos parques empresariais. Nas antigas casas de moradores do interior da cidade, até hoje são os fogões econômicos que aquecem do frio no inverno e realizam a função de cozinhar alimentos. Já no centro da cidade encontram-se as chaminés dos restaurantes, lanchonetes e pizzarias.

Diferente das chaminés que continuam em atividade, muitas se tornaram peças de museu a céu aberto e contam a história de tempos passados. As duas mais conhecidas da cidade ajudam a contar um pouco da história do desenvolvimento econômico de Joinville. Uma delas é a chaminé que fica na área central do Shopping Cidade das Flores. A maior parte da estrutura do empreendimento faz parte do que um dia foi a Malharia Arp, uma das primeiras indústrias da cidade.

Outra peça singular é a chaminé da empresa Wetzel que fica ao lado do Shopping Mueller e da Via Gastronômica. Ela é imponente e pode ser vista de longe em vários pontos da cidade e sem dúvida fez e faz parte da vida de milhares de pessoas que trabalharam, passaram ou passam diariamente por ela.

Muitas vezes sem nem perceber, esses condutores de resíduos industriais fazem parte do seu cotidiano, visto que a maioria dos móveis e utensílios domésticos da sua casa,  suas roupas, seu automóvel e até mesmo o notebook que te faz ler esse post agora foi fabricado por intermédio de um processo industrial que utilizou ela, uma chaminé.

Postado ás 00h55
 

Metrópole ou interior?

Publicado dia 05 de agosto de 2010 por Vitor Krüger

Imagens como esta falam por si, mesmo assim, achei interessante escrever algumas linhas sobre a transição econômica que Joinville vive atualmente. Mais que a maior cidade do estado, a “Manchester Catarinense” é um pólo industrial, que em breve, pode ultrapassar a linha entre interior e metrópole.

Por interesses particulares de empresas privadas, dados demográficos são mascarados, mas Joinville já se aproxima dos 600 mil habitantes, isso se já não ultrapassou essa marca. Multinacionais investem cada vez mais na região. Na cultura somos reconhecidos nacionalmente com o Bolshoi e creio que, assim também será com a Academia de Belas Artes de Florença que está se instalando por aqui.

Outro atributo de destaque é a educação. Recentemente Joinville teve as maiores notas do ENEM em Santa Catarina. Esses e outros fatores refletem diretamente na economia, pois geram empregos, despertam interesse e atraem pessoas de todas as partes do país.

Entretanto, todo esse desenvolvimento não faz com que Joinville ganhe traços de uma cidade moderna, que respira 24 horas por dia. Ela ainda dorme de madrugada e dificilmente almoça após as 14 horas. O setor de serviços é de longe o mais deficitário. O recém inaugurado – e para muitos ainda distante – Garten Shopping chegou para agregar, mas por outro lado, pode ser o responsável pelo encerramento das atividades do cinema no Cidade das Flores.

Outro ponto lamentável é o fechamento ou a locação do espaço físico de hotéis da cidade para fins comerciais. Isso fortalece o monopólio das grandes redes fazendo com que o turismo sofra perdas. E esses são apenas dois exemplos de um fluxo cotidiano que ocorre em Joinville. A demanda existe, mas como em uma bolsa de valores, na primeira oscilação ou ameaça da concorrência os investidores desaparecem.

Não basta industrializar a cidade e revitalizar o setor de serviços. É preciso também modernizar o centro, pois, além dos problemas ocasionais, como o risco constante de alagamentos e a falta de estacionamento, Joinville não possui um visual que a represente como deveria. É necessário criar um novo design urbano. Um bom começo seria concluir as obras inacabadas da Via Gastronômica, mas, o maior desafio parece ser verticalizar a região central. Mesmo com a construção civil em alta e o recente projeto de lei aprovado que impulsiona a construção de prédios residenciais no centro, essa realidade ainda parece distante. Há muito ainda que aprender e aplicar por aqui, contudo, a torcida é grande para que tenhamos uma cidade ainda mais competitiva e menos desigual teorica e visualmente.

Postado ás 03h01
 
 

Cotidiano Joinville . por Vitor Krüger

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