Cotidiano Joinville

por Vitor Krüger

Dança Joinville

Publicado dia 12 de julho de 2011 por cotidianojoinville

Há quase 3 décadas a cena se repete. A dança e os bailarinos invadem a cidade no mês de julho, com suas coreografias e convicções. Mas afinal, à quem interessa e para que serve o Festival de Dança?

Há quem diga que é um orgulho para a cidade, há aqueles que enxergam nele a chance de realizar seus sonhos, outros contudo, vêem no festival uma renda extra no meio do ano. Mas exceto os bailarinos, um pequeno grupo de burgueses, outra meia dúzia de pessoas ligadas à cultura e muitos, mas muitos políticos, que benefícios o maior evento de dança no mundo traz para a população de Joinville?

A resposta é poucos, eu mesmo diria que praticamente nenhum. Além de um pouco de entretenimento e cultura, consegue alguma visibilidade em uma ou duas matérias no Jornal Hoje e com sorte um vivo na Ana Maria Braga. Já, por outro lado, o que mais se percebe são transtornos: ônibus lotados, trânsito caótico, adolescentes gritando no meio da rua e por vezes depredação a obras públicas.

Longe de mim denegrir a imagem do Festival de Dança, eu mesmo já garanti 4 ingressos das noites competitivas, mas quero atentar para o fato de que, entra ano e sai ano e Joinville é a mesma cidade dos operários e da dança.

Joinville é mais. Joinville merece mais.

É preciso quebrar esse estereótipo e ser sim, a cidade dos operários e da dança, mas também a cidade da tecnologia, do Cachoeira despoluído, dos elevados, do custo de vida mais baixo, das ciclovias, dos parques, dos shows internacionais, com menos drogas, menos greves e mais lixeiras nas ruas.

Enquanto o Festival de Dança tirar o holofote da interminável greve da educação, confusões e expulsões na Câmara de Vereadores, e má distribuição das verbas estatais que permanecem concentradas na região de Florianópolis, os bailarinos saltam, a banda passa e Joinville dança, literalmente.

Obs..

Os próximos posts serão sobre o Clima e a Arte do Festival de Dança.

Esses sim valem a pena.

Postado ás 00h19
 

Nosso berço sociocultural

Publicado dia 28 de outubro de 2010 por Vitor Krüger

A geração atual não faz idéia do que está por trás daquela arquitetura clássica do prédio de número 485, da rua XV de Novembro, mas muitos adultos ainda guardam na memória antigas lembranças. Entre os freqüentadores, estão as famílias que assistiam os teatrinhos infantis que ocorriam lá, como “Chapeuzinho Vermelho” e “O Mágico de Oz”, bem como os boêmios do início da década de 80 que comemoravam muitos bailes de carnaval, reveillóns e festas de debutantes. Contudo, as lembranças ainda são mais fortes para aqueles que envelheceram em Joinville e passaram boa parte dos melhores momentos da das suas vidas no local que foi o berço artístico, social e cultural de Joinville, chamado Sociedade Harmonia-Lyra.

A mais antiga sociedade catarinense, surgiu da fusão da Sociedade Harmonia |antiga Harmonie Gesellschaft| com a Sociedade Musical Lyra. Considerada a casa social mais tradicional do território catarinense, foi fundada em 31 de maio de 1858 por grupos germânicos que decidiram preservar um pouco da vida cotidiana européia. Durante sete décadas foi o principal local de bailes, óperas, orquestras, teatros, espetáculos de dança e reuniões sociais. Entretanto, com o passar dos anos, a falta de incentivos, a transformação da sociedade e a evolução dos costumes, alguns eventos migraram para outras casas da cidade ou foram erradicados.

Vale ressaltar que a Harmonia-Lyra, que completou um século e meio em 2008, foi o primeiro lugar a abrigar a Festa das Flores na década de 30, bem como o consagrado Festival de Dança de Joinville, que no início dos anos 80 teve sua primeira edição no palco do clube que foi reformado. O evento contou com a participação de 600 bailarinos de mais de 40 grupos. Contudo, o espaço ficou pequeno para o público e dois anos depois, o evento foi transferido para o Ginásio Ivan Rodrigues.

Com um salão de festas para 650 pessoas, um amplo espaço para shows e um restaurante com 50 lugares, o prédio é usado atualmente para eventos como bailes de formatura, shows e casamentos. Mesmo com a perda do glamour dos grandes eventos, o clube continua sendo uma referência de beleza e história.

O prédio da Lyra é um ícone da arquitetura da cidade. Tombado pelo patrimônio histórico, sua estrutura lembra os clássicos palácios europeus. Sua fachada contém máscaras com coroas de louros, esculpidas pelo artista Fritz Alt. E ainda é, sem dúvidas, uma das edificações com maior expressividade da rua XV de Novembro.

Recentemente o símbolo sociocultural de Joinville eternizou literalmente sua história. “Harmonia-Lyra: Palco das Musas, desde 1858” é uma publicação que descreve 150 anos de história da Sociedade Harmonia-Lyra e foi lançado no dia 28/06/2010.

Crédito Fotos: Arquivo AN

Postado ás 02h02
 
 

Cotidiano Joinville . por Vitor Krüger

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